A conferência do professor Doutor Thimóteo Cardoso de Oliveira traz os achados de uma pesquisa densa que analisa o universo dos operadores de “carrinhos” em São Luís — aqueles que circulam fora das rotas oficiais do transporte. Longe de ser apenas uma modalidade informal de deslocamento, esses trabalhadores integram uma verdadeira ecologia urbana. O debate vai recusar dicotomias rígidas (como formal/informal ou legal/ilegal) para investigar dois eixos centrais: O Risco como Cotidiano: A apreensão de veículos, a instabilidade de renda, o julgamento moral e as tensões com a fiscalização não são exceções, mas parte da estrutura que convoca estratégias diárias de sobrevivência e reinvenção da vida. O Ritmo como Resistência: O ritmo aqui vai além do tempo de viagem. Trata-se da produção da cidade expressa em temporalidades desiguais: acelerações, esperas, pausas, improvisos e adaptações que configuram uma ritmicidade própria das margens.
A pesquisa combina uma abordagem qualitativa e relacional (observação participante, entrevistas e diário de campo) costurada em um diálogo afiado com autores fundamentais como Henri Lefebvre, Ulrich Beck, Tim Ingold, John Urry e Vera da Silva Telles.Programe-se e venha compreender a mobilidade periférica como uma forma cotidiana de resistência rítmica diante das racionalidades homogêneas e aceleradas da cidade contemporânea!
|