O processo de plataformização dos meios de trabalho, que diz respeito ao modo progressivo como diferentes setores laborais passam a operar através da mediação de plataformas digitais, tem sido particularmente desafiador para pessoas que trabalham ofertando serviços sexuais online. Comprometimento de visibilidade, expulsão sistemática e introdução de novas formas de vigilância e precarização são alguns dos desafios enfrentados nesse contexto. Este minicurso explora os modos pelos quais plataformas como Instagram e OnlyFans têm transposto dificuldades tecnomidiáticas específicas para criadores de conteúdo adulto brasileiros, que, por sua vez, atuam em uma linha turva entre a influência digital e a pornografia, precisando aprender a manejar diferentes plataformas virtuais. Mesmo em um contexto de recorrentes sanções, é possível perceber diferentes “artimanhas” mobilizadas pelos criadores de conteúdo para não apenas “passar por baixo” do radar de vigilância automatizada, mas também, e sobretudo, (re)inventar seus modos de permanência online.
Ministrante:
Mateus Melo: Estudante de Doutorado em Comunicação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Na UFPE, também realizou os cursos de Mestrado em Direitos Humanos (2023) e Bacharelado em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda (2019). Integrante dos grupos de pesquisa Núcleo de Estudos Críticos de Feminismos, Gênero, Consumo e Capitalismo (Fegeccap/UFPE), Políticas Sexuais Internacionais (PoliSexI/CNPq/UFPB) e Digital Economy and Extreme Politics Lab (DeepLab/UCD). Suas principais áreas de atuação são: estudos críticos das masculinidades, sociologia do trabalho e sociologia da comunicação.